"Entregá-los?", gaguejei, as lágrimas finalmente brotando e ardendo no meu rosto. "Para quem?"
"Para um casal estrangeiro rico que não podia ter filhos", revelou Martha. "Uma adoção ilegal, arranjada por meio de uma rede clandestina para a qual o Dr. Vance trabalhava secretamente. Sua esposa e a mãe dela receberam uma quantia colossal — centenas de milhares de dólares — para lhe entregar esses bebês." O plano era que ela ficasse com você por mais um ou dois anos, fingindo ser uma esposa enlutada, e então finalmente o deixasse, levando sua fortuna escondida.
Fiquei ali parado, completamente anestesiado. A mulher com quem eu havia compartilhado a cama. Aquela a quem eu havia consolado em seus momentos mais sombrios. Aquela cujas lágrimas eu havia enxugado enquanto lamentava a perda de nossos filhos. Tudo fora uma mentira. Uma farsa monstruosa e calculada, movida por uma ganância sem limites. Ela não havia perdido nossos filhos; ela os havia vendido.
“Mas… se eles foram vendidos para um casal no exterior, por que estão aqui? Por que estão com você?”, perguntei, minha voz tremendo com uma mistura de profunda tristeza e raiva fervente.
O rosto de Martha endureceu. “Porque o karma sempre resolve as coisas no final, Arthur. Na noite em que a transferência deveria acontecer, os compradores estrangeiros desistiram. Um problema com o status legal os obrigou a fugir do país, com medo da imigração. A rede do mercado negro entrou em pânico. O Dr. Vance queria… destruir as provas. Ele queria abandonar os bebês em um orfanato ilegal a quilômetros de distância, ou pior.”