Minha esposa deu à luz gêmeos em segredo e me disse que eles morreram.

As palavras da velha ecoaram no ar úmido do restaurante, pesadas e inaudíveis. "Esses meninos são seus."

Eu não conseguia respirar. O ruído ambiente do restaurante — o tilintar dos talheres, o murmúrio dos outros clientes, o chiado da gordura na grelha — foi se transformando em um zumbido distante e abafado. Minha visão se estreitou até que eu visse apenas os rostos dos dois meninos. Gêmeos. Cinco anos de idade. Com os meus olhos. O meu sorriso. As minhas covinhas. Os mesmos meninos que minha esposa me dissera terem morrido em um quarto de hospital gelado cinco anos antes.

"O que você acabou de dizer?" Minha voz era um sussurro, quebrada pelo peso repentino e imenso de uma realidade que eu não conseguia compreender.

A velha olhou em volta freneticamente, as mãos tremendo, agarrando os ombros dos meninos. Ela parecia apavorada, não comigo, mas com a verdade que acabara de revelar. Ela apertou os meninos com força, protegendo-os. “Eu… eu não devia ter dito isso. Me desculpe. Eu errei”, gaguejou ela, com a voz trêmula. Virou-se bruscamente, tentando conduzir as crianças em direção à porta.