Uma de suas amigas riu.
"Talvez à moça do brechó", brincou uma delas.
"Por favor", disse Brielle. "Ele tem pena dela, claro. Todo mundo tem. Mas pena não é uma declaração de amor."
Congelei onde estava, meio escondida atrás de uma coluna.
Brielle não parava de falar, enumerando o que queria que Austin dissesse e arrumando uma coroa que ainda não existia. Falava dele como se ele já fosse um prêmio embrulhado.
Encostei minhas costas na parede fria de blocos de concreto e fechei os olhos.
Eu não queria uma carta de amor. Não queria pena. Queria homenagear minha falecida avó e ir para casa.
A voz do DJ crepitou pelos alto-falantes, anunciando que logo seria a hora de coroar o rei e a rainha do baile.
Ela falou sobre...
Tentei me aproximar da mesa de ponche sem ser vista. Só precisava de um minuto para respirar antes de decidir se ficava ou ligava para minha mãe.
Mas Brielle me encontrou antes que o copo tocasse meus lábios.
"Emma, querida", ela disse carinhosamente, sentando-se ao meu lado com aquele sorriso ensaiado. "Precisa de uma carona para casa? Antes que alguém a confunda com o guarda-volumes?"
Suas amigas riram baixinho, escondendo o rosto atrás dela.
Apertei o copo de plástico com tanta força que a borda entortou. Meus olhos ardiam, mas me recusei a deixar que ela visse as lágrimas transbordarem.
"Este vestido era da minha avó", eu disse baixinho. "Ela me pediu para usá-lo. Estou aqui porque prometi a ela."
Brielle inclinou a cabeça, me observando como se eu fosse uma mancha em seu sapato.
"Que historinha bonitinha", disse ela. "Ninguém liga."