Fui chamada de "Princesa do Lixo" e "Fantasma da Vovó" por usar o vestido da minha falecida avó – então o Rei do Baile pegou o microfone e deixou todos sem palavras.

Uma professora passou por perto, fazendo sua supervisão, e o rosto de Brielle se transformou completamente. De repente, ela estava rindo baixinho e tocando meu braço como se fôssemos velhas amigas compartilhando uma piada.

"Ninguém liga."
A professora sorriu e continuou andando, mas no instante em que elas se foram, a mão de Brielle caiu. O sorriso também.

"Vai embora, garota fantasma", ela sussurrou.

Eu não fui para a pista de dança, mas para o banheiro, onde me tranquei na última cabine e finalmente deixei as lágrimas rolarem.

Peguei meu celular com os dedos trêmulos e liguei para minha mãe.

"Mãe", sussurrei. "Eu não consigo fazer isso."

A voz da minha mãe era suave do outro lado da linha. "Me conta o que aconteceu, querida."

A mão de Brielle caiu.

Contei a ela.

O comentário sobre a cortina.

A frase sobre o fantasma.

Brielle bloqueou meu caminho como se eu lhe devesse um pedido de desculpas por existir.

Houve uma longa pausa.

"Emma", disse minha mãe gentilmente, "sua avó ficaria orgulhosa de você só por ter entrado por aquela porta. Se você quiser voltar para casa, estarei aí em 10 minutos. Sem perguntas."

Encostei a testa na parede fria do box. "Mas...?"

"Mas", disse minha mãe, "a escolha é sua. Não da Brielle. Nem mesmo da vovó. Sua."

Chego aí em 10 minutos.

Pensei nas mãos trêmulas da vovó Ruth, alisando o cetim e os botões de pérola que minha mãe havia limpado um a um na mesa da cozinha.

"Só mais uma música", sussurrei. "Fico para ouvir só mais uma música."

Joguei água no rosto e saí de volta para o barulho. Foi quando vi Austin do outro lado do ginásio, encostado na arquibancada, observando a porta por onde eu tinha entrado. Seu maxilar estava tenso.