Fui chamada de "Princesa do Lixo" e "Fantasma da Vovó" por usar o vestido da minha falecida avó – então o Rei do Baile pegou o microfone e deixou todos sem palavras.

Nos abraçamos.

Lá fora, o carro que minha mãe havia reservado para mim estava esperando, seus faróis iluminando suavemente o crepúsculo.

Peguei o cetim em uma das mãos, entrei no carro e fui cumprir minha promessa.

***

No instante em que cruzei as portas do ginásio, a atmosfera mudou. As conversas cessaram. Todos se viraram.

Eu esperava entrar sem ser notada, mas o cetim rosa-claro captava a luz de uma forma quase gritante.

Brielle me viu do outro lado do saguão. Ela já estava lá, com um ar de superioridade, como se tivesse ganhado o título de rainha do baile antes mesmo da votação. As lantejoulas de seu vestido deslumbrante brilhavam, e um pequeno grupo de amigas a cercava como uma corte.

Brielle atravessou o salão antes que eu pudesse chegar à mesa de ponche, seguida por sua comitiva.
Brielle me olhou de cima a baixo na frente da turma do último ano.

"Meu Deus", disse ela, com a voz alta. "A loja de usados ​​perdeu uma cortina?"

As amigas dela riram, como se estivessem em sintonia.

Tentei contorná-la, apertando a pequena bolsa que minha mãe havia me emprestado. Brielle me acompanhou, inclinando a cabeça como se estivesse observando um animal estranho.

"Espera, não", disse ela. "Você é como uma princesa do lixo!"

As risadas se espalharam ainda mais dessa vez. Senti o calor subir pelo meu pescoço e se espalhar pelas minhas bochechas.

Mantive o queixo firme e disse para mim mesma: uma música, só uma música para a vovó Ruth.