Não havia qualquer traço de culpa em sua voz. Nem uma gota.
Levantei a mão, enxuguei os olhos com o dorso dela e então a vi.
Ele estava segurando o telefone.
Apontando-a diretamente para o meu rosto.
Gravação.
Era ali mesmo.
Naquele exato momento.
Onde algo quebrou.
Meu nome é Lucía Herrera. Sou casada com Diego Chávez há cinco anos. Cinco anos sendo a nora perfeita para uma família que nunca me considerou parte da família.
Cinco anos em que dei à luz seu neto, cuidei de seus pais como se fossem meus e ajudei a construir o negócio da pessoa que agora ria de mim.
Que ironia.
A rede de hotéis de Camila Chávez, da qual ela tanto se orgulha, não começou com suas ideias brilhantes. Começou com o meu dinheiro.
Duzentos mil pesos.
Meu dote.
O único apoio que minha mãe me deixou antes de morrer.
Lembro-me perfeitamente daquele dia.
Camila chorava, dizendo que queria abrir o próprio negócio, que tinha um projeto, que só precisava de um empurrãozinho. Minha sogra segurava minha mão, usando aquela voz doce que só tinha quando precisava de alguma coisa.
—Lucía, somos família… você é a irmã mais velha aqui, você tem que apoiá-la. Quando as coisas melhorarem para ela, ela vai te retribuir.
Diego, ao meu lado, assentiu com a cabeça.
—Pense nisso como um investimento. Vai crescer rapidamente.
Eu acreditei.
Entreguei o dinheiro sem contrato, sem garantias, apenas com palavras.
Cinco anos depois, existem três hotéis em funcionamento.
E meus duzentos mil pesos... desapareceram como se nunca tivessem existido.
Sempre que ele perguntava, Camila sorria.
—Ah, cunhada, o dinheiro está circulando, me dê um tempo.
E minha sogra interviria imediatamente.
—Não se mantêm contas familiares.