Casei-me com uma mulher mais velha por causa do dinheiro dela e para ter um teto sobre a minha cabeça – depois do funeral dela, o advogado dela me entregou uma caixa e disse: "Era isto que você realmente queria."

"Você acha que estou atrás do seu dinheiro, Evie?"

Todos a chamavam de Evelyn, mas ela me deixava chamá-la de Evie porque a fazia se sentir jovem.

Ela era Evie; deixava pedaços de si mesma espalhados pelo quarto. Na maioria das vezes, eu não os recolhia.

Mas eu notava a despensa bem abastecida. As toalhas macias. O armário de remédios cheio. As consultas médicas anotadas no calendário da geladeira.

Cada consulta me chamava a atenção.

Cada novo frasco de comprimidos me fazia pensar em quanto tempo ela ainda tinha de vida.

Mesmo assim, Evie me tratava melhor do que eu merecia.

Cada encontro me cativava.

Uma tarde, Evie deixou um par de botas novas perto da porta. Uma semana depois, um casaco pesado estava pendurado lá também.

"Não preciso de caridade", eu disse.
"Então chame isso de faxina. Não gosto de chão enlameado."

Quando eu disse que podia comprar meu próprio casaco, ela simplesmente perguntou: "Você pode?"

***

No nosso restaurante de sempre, todas as garçonetes conheciam a Evie. Eu odiava aquele lugar porque as pessoas a adoravam e me faziam perguntas.

Uma tarde, ela colocou açúcar no meu chá e disse: "Você fica quieto quando as pessoas são gentis comigo. Por quê?"