Mas também assustado.
Como se a felicidade fosse algo temporário que pudesse desaparecer se você relaxasse demais.
Depois do casamento, fui morar com ele.
No começo, tudo parecia aconchegante e normal.
A cozinha sempre cheirava a panquecas ou croque-monsieur.
Havia giz de cera na geladeira.
Sapatinhos perto da porta de entrada.
Brinquedos estavam sempre escondidos embaixo dos móveis, apesar dos meus melhores esforços para guardá-los.
Parecia vivo.
Então, notei a porta do porão.
Estava sempre trancada.
Sempre.
Só para dar um exemplo. O porão trancado estava começando a me preocupar.
Uma noite, enquanto arrumávamos a cozinha depois do jantar, perguntei casualmente:
Por que o porão está sempre trancado?
Daniel nem sequer olhou para mim.
"É um lugar para guardar coisas", disse ela. "Ferramentas, latas de tinta, coisas velhas. Não quero que as meninas se machuquem."
Pareceu razoável.
Então deixei para lá.
Mas depois disso, comecei a notar coisas estranhas.