Ele poderia ter saído. Poderia tê-la chamado pelo nome. Poderia ter desabado na calçada. Mas ele já a havia magoado o suficiente ao fazer dos sentimentos dela o centro de sua vida. Dessa vez, ele esperou.
Emily recusou a primeira ligação do advogado neutro. Michael não a culpou. Ela recusou a segunda. Ele também não a culpou. Na terceira ligação, o advogado simplesmente lhe disse uma coisa: ele estava ciente do prontuário médico. Sabia que alguém havia bloqueado suas ligações. Pediu permissão para se encontrar com ela em um local público, na presença de seu advogado.
Emily concordou por vinte minutos.
Eles se encontraram em um restaurante à beira da estrada porque Emily queria testemunhas, e Michael merecia isso. Ela chegou com os gêmeos no carrinho, o rosto pálido e inexpressivo. Michael se levantou quando ela entrou, depois sentou-se novamente, o olhar dizendo-lhe para não demonstrar nenhum remorso na frente de estranhos.
"Não vim pedir seu perdão", disse ele.
"Ótimo."
A palavra foi silenciosa. Mesmo assim, o atingiu em cheio.
Ele deslizou a cópia da ficha de internação do hospital sobre a mesa. Depois, o registro de chamadas. Depois, o relatório de acesso de segurança. Emily não os tocou imediatamente. Olhou para eles como se pudessem mordê-la.
"Eu liguei para você", disse ela.