Então peguei um caderno da minha gaveta e comecei a escrever.
Mensalidades. Taxas. Livros. Aluguel. Comida. Transporte. Trabalhos no campus. Salário na cafeteria. Serviço de segurança. Auxílio federal. Empréstimos. Prazos para bolsas de estudo. Os números me aterrorizavam, mas também me davam segurança. Cada número era uma parede, mas paredes têm limites. Eu podia medi-los. Podia planejar em torno deles. Podia descobrir onde empurrar.
Algum tempo depois das 2h da manhã, encontrei a Bolsa de Mérito da Northlake State para estudantes financeiramente independentes. Mensalidade integral para alguns candidatos. Concorrida. Redações exigidas. Avaliação do corpo docente. Entrevistas finais.
Salvei o link.
Então descobri a Bolsa Hawthorne. Vinte estudantes de todo o país. Mensalidade integral, bolsa anual, mentoria, estágio acadêmico, universidades parceiras.
Quase ri.
Os estudantes que ganhavam esse tipo de bolsa tinham currículos impecáveis, cartas de recomendação perfeitas e pais que pronunciavam a palavra "bolsa" como se fosse um clichê em jantares.
Mesmo assim, salvei o link.
A crença não veio naquela noite.
Mas algo além da crença veio. Recusa.
Uma recusa silenciosa e obstinada em deixar que o cálculo do meu pai se tornasse o cálculo final da minha vida.
Antes de dormir, sussurrei na escuridão: "Este é o preço da liberdade."
Naquela época, liberdade parecia exatamente rejeição.
A manhã seguinte foi pior porque parecia normal.
A luz do sol inundava a cozinha. Minha mãe estava no balcão, ajeitando a roupa de cama do dormitório. Amber estava sentada com uma perna dobrada, comendo morangos enquanto meu pai comparava os planos de refeição de Briarwood com opções de investimento.
"O que você acha de creme e sálvia?", perguntou minha mãe. "Elegante, mas não muito formal?"
Amber sorriu. "Talvez com detalhes em dourado."
Papai assentiu. "Os quartos provavelmente são pequenos, mas a gente se vira."
Nós.
Sentei-me à mesa e passei manteiga em uma torrada. Ninguém mencionou Northlake State. Ninguém perguntou se eu tinha dormido. Ninguém perguntou o que eu pretendia fazer.
Foi assim que o verão transcorreu.
O futuro de Amber preenchia a casa. Caixas chegavam. Malas novas. Toalhas novas. Abajures novos. Minha mãe fazia listas com uma caligrafia alegre e vibrante. Meu pai pagava os depósitos sem reclamar. Amber publicava contagens regressivas online para as faculdades dos seus sonhos e novos começos.
Eu trabalhava horas extras em uma livraria no centro da cidade e me inscrevia para bolsas de estudo entre um cliente e outro.
Às vezes, minha mãe parava na porta do meu quarto e perguntava: "Como estão indo seus planos?"