Doei um rim ao meu marido — um ano depois, o encontrei com a minha irmã.

Pensei que talvez precisássemos de um recomeço.

Então, planejei uma surpresa.

Limpei a casa. Acendi velas. Pedi a comida favorita dele para viagem. Vesti a lingerie bonita que estava guardada na minha gaveta há meses.

Até coloquei a música que costumávamos ouvir quando nos conhecemos.

No último minuto, percebi que tinha esquecido a sobremesa.

Então corri para a padaria.

Fiquei fora uns vinte minutos.

Quando voltei para a garagem, o carro do Daniel já estava lá.

Sorri.

Momento perfeito.

Então abri a porta da frente.

E ouvi uma risada.

A risada de uma mulher.

Uma risada que reconheci imediatamente.

Esther.

Minha irmã.

Por um instante, meu cérebro tentou explicar.

Talvez ela tivesse aparecido por aqui. Talvez estivessem conversando na cozinha.

Mas a casa parecia estranha.

Silenciosa demais.

Íntima demais.
Caminhei lentamente pelo corredor em direção ao nosso quarto.

A porta estava quase fechada.